{"id":2344,"date":"2021-10-24T16:57:21","date_gmt":"2021-10-24T16:57:21","guid":{"rendered":"https:\/\/damwatchinternational.org\/?p=2344"},"modified":"2021-10-24T16:58:16","modified_gmt":"2021-10-24T16:58:16","slug":"a-barragem-de-belo-monte-triplicou-a-emissao-de-gas-estufa-na-amazonia-oriental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/damwatchinternational.org\/pt-br\/a-barragem-de-belo-monte-triplicou-a-emissao-de-gas-estufa-na-amazonia-oriental\/","title":{"rendered":"A barragem de Belo Monte triplicou a emiss\u00e3o de g\u00e1s estufa na Amaz\u00f4nia oriental"},"content":{"rendered":"<body><p><\/p><em>Hidrel\u00e9trica de Belo Monte no rio Xingu 2017, foto de Fernanda Brandt (CC)<\/em>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De acordo com pesquisa publicada na revista <em>Science Advances<\/em>, os gases de efeito estufa na Amaz\u00f4nia Oriental triplicaram ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da Barragem de Belo Monte. O estudo demostrou que \u201cas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa (GEE) p\u00f3s-represamento nesta \u00e1rea da barragem s\u00e3o at\u00e9 tr\u00eas vezes maiores do que os fluxos pr\u00e9-represamento e equivalentes a cerca de 15 a 55 kg CO2eq MWh-1\u201d. Para chegar a esses resultados, os pesquisadores mediram os fluxos de metano (CH4) e di\u00f3xido de carbono (CO2) na \u00e1rea de Belo Monte durante as esta\u00e7\u00f5es de cheia e vazante dos primeiros dois anos ap\u00f3s o enchimento do reservat\u00f3rio e os compararam com os GEE naturais pr\u00e9-existentes emiss\u00f5es na regi\u00e3o afetada. Em resposta aos resultados obtidos os pesquisadores pedem aos governos que \u201cconsiderem alternativas de gera\u00e7\u00e3o de energia que evitem o represamento de grandes rios e a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas alagadas na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 se sabe que a Amaz\u00f4nia \u00e9 de vital import\u00e2ncia para a Terra. Abriga a maior diversidade de flora e fauna do mundo. Ajuda a regular o clima e em seus canais de \u00e1gua circula cerca de 15% da \u00e1gua doce do planeta. Longe de ser mantida como santu\u00e1rio e com o m\u00ednimo poss\u00edvel de interven\u00e7\u00e3o humana, esse ecossistema tem sido modificado exponencialmente por projetos de minera\u00e7\u00e3o, fazendas de gado, petroleiros, extensas madeireiras e usinas hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n<p>O aumento do n\u00famero de projetos hidrel\u00e9tricos nos grandes rios da bacia do Amazonas continuar\u00e1 a ter um impacto substancial nas comunidades e ecossistemas que dependem desses rios. Atualmente na Amaz\u00f4nia n\u00e3o h\u00e1 uma nem duas, mas centenas de hidrel\u00e9tricas e muitas outras que ainda est\u00e3o no projeto.<\/p>\n<p>O complexo Belo Monte est\u00e1 localizado no rio Xingu, no estado do Par\u00e1. \u00c9 considerada a maior usina hidrel\u00e9trica da Amaz\u00f4nia e ocupa o quinto lugar entre as 10 maiores barragens do mundo (Peri\u00f3dico de la Energ\u00eda, 2021). Sua capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica \u00e9 de 11.233 MW.<\/p>\n<div id=\"attachment_2330\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2330\" class=\"wp-image-2331 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=300%2C153&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"153\" loading=\"lazy\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=300%2C153&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=1024%2C524&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=768%2C393&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=1536%2C785&amp;ssl=1 1536w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?resize=958%2C490&amp;ssl=1 958w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?w=1647&amp;ssl=1 1647w, https:\/\/i0.wp.com\/damwatchinternational.org\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Graphics-Belo-Monte.png?w=1360&amp;ssl=1 1360w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-2330\" class=\"wp-caption-text\">Bacia do rio Amazonas e a localiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudo do complexo hidrel\u00e9trico de Belo Monte usada para avaliar as emiss\u00f5es antes e depois do reservat\u00f3rio. Fonte: https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abe1470<\/p><\/div>\n<p>Belo Monte \u00e9 uma barragem de filo d\u2019\u00e1gua. Mas o que isso significa? Barragens a filo d\u2019\u00e1gua s\u00e3o usinas que desviam uma parte da \u00e1gua atrav\u00e9s de uma barreira para aproveitar sua energia para operar as turbinas que geram eletricidade. Ao contr\u00e1rio de outras barragens, eles n\u00e3o armazenam \u00e1gua, mas a devolvem ao rio de forma continua.<\/p>\n<p>Esse recurso ajudou as barragens passadas a se promoverem como projetos \u201cmais sustent\u00e1veis\u201d e de \u201cenergia limpa\u201d. No entanto, esse discurso omitiu que at\u00e9 o momento o impacto de uma estrutura da magnitude de Belo Monte era desconhecido. Por isso, uma equipe de pesquisadores decidiu estudar as emiss\u00f5es produzidas por essa barragem para atualizar o conhecimento que temos sobre as novas usinas hidrel\u00e9tricas no cen\u00e1rio amaz\u00f4nico (BERTASSOLI et. Al., 2021).<\/p>\n<p>Os pesquisadores afirmam que, no caso da hidrel\u00e9trica de Belo Monte, \u201co potencial de aquecimento global (GWP) desse reservat\u00f3rio, durante os primeiros anos de opera\u00e7\u00e3o, representa at\u00e9 10% das usinas de g\u00e1s natural (422 a 548 kg CO2eq. MWh-1) e \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0queles associados a usinas nucleares (8 a 45 kg CO2eq MWh-1) ou outras fontes renov\u00e1veis, como fotovoltaica (29 a 80 kg CO2eq MWh-1) e e\u00f3lica (8 a 20 kg CO2eq MWh -1)\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o estudo enfatiza a import\u00e2ncia das varia\u00e7\u00f5es espaciais nas estimativas de CH4 em reservat\u00f3rios tropicais rec\u00e9m-inundados. Eles argumentam que as estimativas de emiss\u00e3o de GEE de reservat\u00f3rios hidrel\u00e9tricos s\u00e3o provavelmente baseadas em um baixo n\u00famero de locais de amostragem e isso poderia resultar em uma diminui\u00e7\u00e3o na \u201ccontribui\u00e7\u00e3o desproporcional de pontos quentes (ou seja, zonas de rebaixamento) e per\u00edodos de intensa ebuli\u00e7\u00e3o (ou seja, causado pela flutua\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de \u00e1gua) \u201c.<\/p>\n<p>Finalmente, os pesquisadores insistem que os significativos custos sociais e ambientais das barragens, de qualquer tipo, sejam levados a s\u00e9rio ao determinar a viabilidade de projetos hidrel\u00e9tricos. Eles prop\u00f5em que os estudos ambientais sejam baseados em modelos preditivos para estimar as emiss\u00f5es de GEE de futuras barragens. Mas, acima de tudo, insistem na necessidade de buscar alternativas de gera\u00e7\u00e3o de energia que evite o represamento de grandes rios e a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas alagadas na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo completo est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente e para uso n\u00e3o comercial no seguinte link: https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.abe1470<\/p>\n<p><em>Escrito por Clara Lorena P\u00e1ez e Laisa Massarenti Hosoya<\/em><\/p>\n<p><strong>Outras refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p>O jornal da energia (2021) As 10 maiores e principais hidrel\u00e9tricas <a href=\"https:\/\/elperiodicodelaenergia.com\/las-10-centrales-hidroelectricas-mas-grandes-del-mundo\/\">https:\/\/elperiodicodelaenergia.com\/las-10-centrales-hidroelectricas-mas-grandes-del-mundo\/<\/a><\/p>\n<p>Deutsche Welle (2019) Por que a Amazonia \u00e9 t\u00e3o importante para o mundo?<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.dw.com\/es\/por-qu%C3%A9-la-amazon%C3%ADa-es-tan-importante-para-el-mundo\/a-50144163\">https:\/\/www.dw.com\/es\/por-qu%C3%A9-la-amazon%C3%ADa-es-tan-importante-para-el-mundo\/a-50144163<\/a><\/p>\n<p>Ag\u00eancia FAPESP (2021) Reservat\u00f3rio de Belo Monte triplicou emiss\u00e3o local de gases de efeito estufa <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/reservatorio-de-belo-monte-triplicou-emissao-local-de-gases-de-efeito-estufa\/36391\/\">https:\/\/agencia.fapesp.br\/reservatorio-de-belo-monte-triplicou-emissao-local-de-gases-de-efeito-estufa\/36391\/<\/a><\/p>\n<\/body>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hidrel\u00e9trica de Belo Monte no rio Xingu 2017, foto de Fernanda Brandt (CC) \u00a0 De acordo com pesquisa publicada na revista Science Advances, os gases de efeito estufa na Amaz\u00f4nia Oriental triplicaram ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da Barragem de Belo Monte. 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